Linhas de financiamento disponíveis para operadores: fontes alternativas de crédito

As modalidades de financiamento tradicionais não são o único caminho que uma empresa pode seguir. Aqui estão alguns caminhos alternativos

Você conhece modalidades alternativas de crédito? Fizemos uma pequena lista delas.

Você conhece modalidades alternativas de crédito? Fizemos uma pequena lista delas.

 

Você chegou à conclusão de que precisa crescer e só vai conseguir isso através do dinheiro de terceiros.

Mas, você não sabe ainda qual é a melhor modalidade de empréstimo, financiamento ou outros recursos para fomentar o crescimento da sua empresa e atingir suas novas metas.

Afinal, bancos, instituições financeiras, correspondentes bancários e outras fontes de crédito possuem produtos diferentes, para ocasiões diferentes, e você precisa saber qual é a melhor opção para sua necessidade.

Essa é a terceira parte da série de artigos que irão ajudar você a encontrar a melhor fonte de financiamento para expandir o seu negócio.

Se você está chegando por aqui agora, recomendamos que você leia antes a primeira e segunda parte do artigo:

  1. Financiamento de máquinas e equipamentos.
  2. Antecipação de recebíveis e capital de giro.

Hoje vamos falar de fontes alternativas de crédito, que permite uma alternativa para acesso ao capital para muitas MPEs, com condições diferenciadas e outras variáveis, que podem torná-las fontes de crédito atraentes para você.

Agora que você já sabe mais sobre as modalidades de crédito comumente utilizadas, chegou a hora de falarmos um pouco mais sobre as fontes alternativas de crédito. Vamos à elas.

#1. Microcrédito

O microcrédito é um tipo de crédito disponível para micro e pequenas empresas e empreendedores individuais com juros muitos baixos e muito mais acessíveis do que os empréstimos tradicionais.

O termo microcrédito foi criado por Muhammad Yunus, cidadão de Bangladesh que fundou um banco na década de 70, o Grameen Bank, e inventou o mecanismo do microcrédito.

O microcrédito consistia em emprestar dinheiro para a população carente que não tinha acesso ao crédito, nem como oferecer garantias, tendo como objetivo dessa concessão estimular o empreendedorismo, gerando desenvolvimento econômico e social.

No Brasil, o microcrédito é um programa de empréstimo destinado a pequenos empreendedores formais ou informais, pessoa física ou microempresas. É um programa impulsionado pelo Governo Federal.

Muitas pessoas físicas trabalham informalmente e não possuem comprovante de renda, portanto torna-se uma missão quase impossível conseguir empréstimos em bancos/financeiras.

Da mesma forma, existem muitas microempresas que possuem um pequeno faturamento anual, e também encontram dificuldades de aprovação de empréstimo para expandirem seus negócios.

Nesse contexto entra o microcrédito, ele está disponível justamente para esse público com dificuldades em conseguir crédito.

Obviamente, o valor disponível para contratação são de pequenas quantias, o que dá nome à modalidade de crédito de microcrédito. Dentre as condições de enquadramento, temos:

  • Empresa: faturamento bruto anual de até 120 mil reais.
  • Pessoa física: empreendedores informais.

Por ser um negócio com foco mais social, as taxas de juros cobradas são muito inferiores às linhas de crédito tradicionais do mercado.

Pelo microcrédito, é cobrado juros mensais de 0,4% ao mês, enquanto que linhas tradicionais de empréstimos pessoais mais baratas partem de cerca de 2% ao mês, não sendo difícil encontrarmos no mercado atualmente, linhas de crédito a 6% ao mês.

O valor efetivo do juros fica um pouco maior que 0,4% ao mês, pois essas operações têm uma taxa de abertura de crédito, então, a taxa efetiva cobrada fica em torno de 0,6% ao mês.

Observe que essa taxa é bastante próxima ao que rende a poupança, e portanto, uma modalidade de financiamento muito barata.

No Brasil várias instituições estão oferecendo o microcrédito, você pode encontrar condições diferentes em cada uma delas, como por exemplo o prazo de pagamento e o valor máximo a ser liberado.

A taxa de juros é a mesma em qualquer uma delas, lembrando que trata-se de um programa do governo brasileiro.

Algumas dessas instituições são: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander, dentre outras.

#2. Crédito mercantil

O chamado crédito mercantil representa a fonte natural de financiamento de qualquer negócio.

São as compras a prazo que as empresas fazem de seus fornecedores de insumos e mercadorias.

O crescimento do crédito mercantil, pode ser explicado pelo fato de que uma grande parte das atividades mercantis no Brasil não consegue captar recursos a uma taxa de juros que possa ser remunerada adequadamente.

Podemos explicar o crédito mercantil como a modalidade de crédito que o seu fornecedor lhe dá quando você compra parcelado.

Por exemplo, quando você faz uma compra de insumos em seu fornecedor no valor de 5 mil reais, e você consegue parcelar essa compra em 5 boletos de 1 mil reais, essa é uma modalidade de crédito mercantil.

Essa modalidade, obviamente necessita de análise de crédito, e varia de acordo com o relacionamento entre você e seus fornecedores, e entre empresas.

#3. Capital de terceiros

Muitos empreendedores, depois de esgotarem seus limites de empréstimo e financiamento, ainda continuam precisando de dinheiro.

Nisso, acabam recorrendo ao dinheiro de terceiros, familiares e até mesmo amigos para conseguir impulsionar o seu negócio.

Muitos empreendedores iniciam ou ampliam o seu negócio através da captação de recursos entre amigos e familiares.

Geralmente, essas pessoas emprestam o dinheiro em troca de uma pequena remuneração, muito menor até mesmo do que os juros bancários.

Mostre seu plano de negócios para essas pessoas e fale sobre seu projeto. Existem também pessoas físicas com grande poder aquisitivo e sem tempo de investir em um negócio.

Aqui entramos em um subtipo de capital de terceiros: os investidores anjo.

O investidor anjo

Os investidores anjos são pessoas ou grupo de pessoas que têm grande poder aquisitivo e estão acostumados a assumir riscos calculados com o próprio dinheiro.

Muitos gostam do jogo de descobrir e explorar oportunidades comerciais.

Essa modalidade de fonte de recursos é muito comum em países como os Estados Unidos e na União Europeia, porém com o crescimento econômico do Brasil tem aumentado a quantidade de investidores anjos por aqui também.

O investidor anjo entra como um investidor em seu projeto e recebe uma pequena fatia dele.

Assim, você ganha um sócio investidor, que permite o seu negócio decolar, e em muitas vezes um mentor com conhecimento precioso.

#4. Debêntures

Debêntures são títulos de dívida, cuja venda permite à empresa a obtenção de financiamento geral para as suas atividades.

As debêntures dão ao seu comprador o direito de receber juros (geralmente semestrais), correção monetária variável, e o valor nominal na data de resgate prevista (a data de vencimento preestabelecida).

Assim, a debênture distingue-se da ação preferencial principalmente pela existência do prazo e do valor de resgate pela empresa.

Para a empresa, a debênture apresenta a vantagem de ser uma alternativa de obtenção de recursos a longo prazo e a custo fixo (representado por juros presumivelmente conhecidos de antemão).

Além disso, há a flexibilidade permitida pela inexistência de obrigação em aplicar os recursos de uma forma predeterminada.

Vale ainda salientar que qualquer sociedade comercial é constituída sob forma de sociedade por ações. Com isso, as empresas podem captar recursos de médio e longo prazo para capital de giro e capital fixo.

Obviamente, para emitir as debêntures, a sua empresa vai precisar de uma consultoria especializada, uma vez que essa é uma modalidade de crédito de médio ou longo prazo, a sua implantação é demorada.

Nunca parta para a emissão de debêntures se você estiver precisando de dinheiro para amanhã. Você vai demorar muito mais do que esperava.

Se estiver precisando de dinheiro rápido, pense em outras modalidades de financiamento e acesso ao crédito, que prometem dinheiro mais rápido para a sua empresa.

#5. Fundo perdido

Finalmente, ainda temos o que chamamos de financiamento a fundo perdido.

Existem formas de financiamento de novos negócios onde não há a necessidade de devolver o valor que você pegou emprestado ou o mesmo será pago com juros irrelevantes.

É um fato positivo que o governo tem se mostrado cada vez mais propenso a fomentar a inovação via programas de subvenção, o chamado “fundo perdido”.

Ano a ano, a quantidade de programas e principalmente o orçamento deles vêm aumentando.

É o caso dos fundos que disponibilizam milhões para o desenvolvimento de tecnologias em diversas áreas, como saúde, óleo e gás, TI, agro, etc.

Apesar da grande variedade e abrangências de tais programas, captar um dinheiro do governo não-reembolsável ainda é uma tarefa difícil para a maioria das empresas.

Geralmente essas fontes de recursos vêm de agências governamentais de fomento à pesquisa e inovação e ao empreendedorismo. No Brasil, podemos citar como exemplo:

  1. CNPq.
  2. Finep.

 

Você está pronto para recorrer ao melhor financiamento para o seu negócio?

Como vimos, temos algumas ferramentas alternativas ao crédito e/ou financiamento tradicionais, que podem ajudar a sua empresa a crescer e se desenvolver.

Cabe agora a você, descobrir qual é a melhor fonte de financiamento para o seu momento atual, pesquisar por condições de crédito, e ainda usar com moderação.

Todo crédito, quando contratado visando o crescimento da sua empresa ou um investimento futuro, pode ser uma ótima oportunidade.

Mas, não use de maneira leviana o financiamento, contratando crédito sem precisar. Agora que você já conhece diversas modalidades de financiamento, fica mais 1 dica: use com moderação e inteligência.