A nova era do Vending no Brasil: o fim dos produtos liberados?

Assim como outros mercados e segmentos, o vending também mostra sinais de mudança no Brasil

Como a crise está ajudando a evoluir o vending no Brasil

Como a crise está ajudando a mudar o vending no Brasil

Na AMLabs conversamos semanalmente com dezenas de empresários do segmento de vending machines. A natureza do nosso trabalho, que é auxiliar na gestão dos operadores, nos permite visualizar de uma forma bastante dinâmica e panorâmica o que ocorre no mercado. Neste artigo gostaria de compartilhar com nossos leitores uma tendência que temos visto.

Assim como na Europa, o mercado brasileiro de vending machines se formou inicialmente em torno das máquinas de café e bebidas quentes. Atualmente, estima-se que mais de 65% das máquinas disponíveis no mercado sejam máquinas de café.

Em grande parte, o modelo de negócios utilizado pelos operadores brasileiros tem sido baseado em oferecer a maioria das bebidas (cappuccino, chocolate, etc…) através de um sistema de pagamento e o cafézinho de forma liberada, isto é, a empresa contratante é quem paga o café tomado pelo seu funcionário.

Embora este modelo tenha sido extremamente difundido e procurado pelas empresas no passado, os tempos estão mudando. As empresas não querem mais manter o café liberado para seus funcionários. Ou no melhor dos casos, não querem negociar da mesma forma.

De forma similar os operadores europeus tem deixado este modelo de lado há tempos. Nosso mercado está seguindo o mesmo caminho? Vamos mostrar alguns indícios de que sim! E além disso, mostraremos como o momento econômico está ajudando a moldar e acelerar estas mudanças.

Preço do café

Não é de se estranhar a diferença entre o preço de um café nas máquinas vending quando comparado a uma cafeteria? Suponha R$0,50 na máquina e R$3,00 na cafeteria, em média.

Essa grande desproporcionalidade só demonstra que o mercado nacional ainda precisa amadurecer bastante.

A falta de formação dos novos operadores que entram no mercado, ou mesmo a ânsia por instalar novas máquinas, ou máquinas que estavam paradas, dos operadores que já estão no mercado há mais tempo, sem pensar em resultado econômico a curto e médio prazo, é um fator que leva o preço para baixo!

Quando olhamos em mercados mais maduros estes valores são muito mais próximos.

Serviço de qualidade

O preço baixo leva a redução de custos que invariavelmente deteriora a qualidade do serviço.

Como o funcionário não paga diretamente pelo serviço, o mesmo acaba não exercendo um senso crítico de melhora, como faria se estivesse pagando diretamente pelo produto.

Felizmente, isso tem mudado um pouco na medida que o café tem se tornado, aos poucos, uma bebida mais “gourmet”, graças à difusão de cafés de qualidade.

A Nespresso, por exemplo, tem sido uma das precurssoras ensinando os consumidores a apreciar um café de maior qualidade. Naturalmente, outras marcas e máquinas, ao oferecer a praticidade das cápsulas e sachês e ao incentivar o consumo do café espresso em detrimento do café coado da garrafa, tem sido um fator importante. Produtos de maior qualidade e mais acessíveis ao público em geral certamente contribuem para aumentar o senso crítico dos consumidores.

Momento econômico

Um processo natural que atinge os operadores de vending que oferecem o modelo de negócios voltado a benefício é a eventual perda da máquina. Imagine um operador que possui 10 máquinas em um só cliente. O investimento das máquinas nem se pagaram ainda, porém, devido a corte de despesas, a contratante decide devolver as máquinas. Você enxerga o problema? Ativos de alto valor que ainda não foram amortizados estão parados em seu estoque.

Embora este seja um processo natural, o momento econômico atual tem acelerado a devolução de máquinas e dificultado a recolocação em novos pontos de venda.

Em outras ocasiões, as empresas não devolvem as máquinas, porém cortam os benefícios. Ou seja, o cafézinho que era grátis agora está sendo cobrado. Você acha que o funcionário ficou contente? Será que ele vai continuar consumindo nesta máquina?

Um cafézinho liberado vende muito mais que o café pago. Apenas para exemplificação, podemos colocar uma taxa de 20 cafés vendidos para cada 100 liberados. Porém, em uma empresa em que o benefício foi cortado, essa taxa será ainda menor.

Portanto, mesmo que a máquina não seja devolvida, o operador terá que se adaptar rapidamente em termos de custos operacionais para seguir em frente.

Modelo operacional mais eficiente e maior resultado econômico

Naturalmente, operadores que oferecem produtos vendidos tem um preço mais condizente com a realidade, tendem a oferecer um produto de maior qualidade e ficam um pouco menos sujeitos a momentos de dificuldade, trabalhando com um pouco mais de estabilidade.

Invariavelmente, como vendem em menor quantidade, conseguem manter seus ativos rodando por mais tempo e são capazes de abastecer de forma mais eficiente. Ao invés de contratar um abastecedor para cada 30~40 máquinas, talvez cada abastecedor consiga trabalhar com 80 máquinas.

Este tipo de operação tende a vender produtos com maior valor agregado permitindo ao operador trabalhar com novas tecnologias de pagamento e gestão. Além de trazer novos modelos de máquinas ao mercado nacional.

Você está pronto para essas mudanças?

Certamente o modelo de bebidas liberadas nunca vai acabar. Sempre haverá empresas dispostas a contratar este tipo de serviço em todo lugar do mundo. Porém, o segmento de vending machines em mercados mais maduros não se apoia neste modelo para crescer. O momento econômico do nosso País está mostrando que talvez este modelo também não seja tão sustentável por aqui. Hora de pensar fora da caixa?